A Gastronomia do concelho da Póvoa de Varzim tem duas facetas bem distintas. De um lado, as ricas influências minhotas e, no outro, a originalidade da classe piscatória poveira. Se este património está salvaguardado no que respeita à cozinha minhota, já o mesmo não se pode dizer da do pescador poveiro. Infelizmente, torna-se difícil encontrar um desses pratos tradicionais nos restaurantes da cidade e até nos hábitos domésticos estão a cair em desuso. "Os tempos mudaram", a comunidade de tão forte identidade cultural foi-se abrindo ao exterior.

As condições sócio-económicas também se alteraram permitindo a libertação do limiar da pobreza e da indigência, constante ameaça para o pescador das classes mais modestas. Parco em recursos, a sua alimentação restringia-se aos produtos agrícolas da região e aos que ele próprio granjeava no mar, mas destes só os mais "pobres" (sardinha, raia, cação, cavala, cascarra, peixe bandalho, etc) frequentavam a sua mesa. Os peixes "finos" (pescada, robalo, badejo, melo, etc) eram para venda, não iam à boca do pescador. Do esforço da criatividade para ultrapassar estas limitações resultou a grande riqueza de sabor da cozinha poveira.
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