Quando os estômagos enfraquecidos se aliviam às gargantas ressequidas e aos pés doridos pela jornada, faziam uma pequena pausa para descansar. Pousando as cestas com a merenda, abriam-nas e colocavam o seu conteúdo em cima de alvas toalhas que estendiam pelo chão. A boa pinga refrescava, molhava a garganta, os lábios e ajudava a escorregar os saborosos petiscos. Retemperadas as forças, os peregrinos retomavam a caminhada. À medida que se aproximavam do destino, outros romeiros se lhe iam juntando, formando um numeroso grupo.
Chegados ao local, dirigiam-se para o templo. “Ex-votos”, dinheiro, velas de cera, da altura dos penitentes, voltas de joelhos em redor da igreja, eram algumas das maneiras de cumprirem as promessas. Além das barracas de comes e bebes, havia as que vendiam bugigangas, satisfazendo o apetite e a curiosidade dos caminheiros.
A música, o estralejar dos foguetes e a algazarra das crianças juntavam-se ao pregão dos aguaceiros que vendiam “água açucarada”, ou “limonada” guardada em cântaros envolvidos por uma capa de cortiça, que a mantinha fresca. O estampido de um morteiro, seco e inesperado, anunciava o fim da missa e a saída da procissão. A música parava e o bailarico acabava. Todos se dirigiam para junto da Igreja. O andor do Padroeiro era seguido pela banda que antecedia a multidão de acompanhantes.
Terminadas as celebrações, a festa continuava pela noite fora. O arraial culminava com o fogo de artifício, rasgando o negrume da noite com estrelas coloridas e tremeluzentes, de belo efeito decorativo. No final, enquanto uns se apressavam a voltar para casa, outros embrulhavam-se nas mantas até ao alvorecer para, então, retomarem o caminho de regresso. |