A 5 km da Póvoa de Varzim, estende-se desde a encosta do monte da cividade até à planície de São Lourenço, a caminho de Navais.
O seu topónimo deve provir do latim Terrosu - significando «cheio de terra» ou «com terra misturada» e referindo-se ao monte amuralhado ou à «cividade». Deste mesmo monte nasciam as límpidas águas levadas pelo aqueduto para o convento de Sta. Clara (Vila do Conde), no século XVIII. A mais antiga referência a esta freguesia consta num documento de 953 "... subtus montis Terroso".
Até à reforma liberal, pertenceu ao concelho de Barcelos e, nessa altura, passou para o da Póvoa de Varzim.
É típico desta freguesia o artesanato das mantas e tapetes de farrapos, feitos de tiras de vários géneros de tecidos.
Cividade de Terroso
Este povoado fortificado proto-histórico, situa-se numa elevação com cerca de 153 metros de altitude, onde se regista um longo período de ocupação (800/700 a. C. - séc. III d. C.) e que forneceu já importantes elementos de estudo para a história dos povos castrejos e da implantação romana.
Pensa-se que a construção e ocupação da cividade se deu por volta de 500 a. C. / séc. I d. C. Apresenta vestígios de mais de 80 casas de planta circular e mais de 15 rectangulares. A organização urbana deste povoado aproxima-o ao esquema dos grandes povoados castrejos proto-urbanos da fase mais recente da Idade do Ferro do Norte de Portugal, do tipo da Citânia de Sanfins ou da Cividade de Âncora, caracterizado pela existência de um plano ordenador.
O povoado fortificado mostra uma organização defensiva constituída por três linhas de muralhas. A plataforma central da Cividade era circundada por um forte sistema defensivo constituído por dois muros paralelos construídos com grandes blocos e pedras de tamanho médio sem argamassa, com as faces exteriores de aparelho regularizado e o intervalo entre ambos preenchido com saibro.
As outras duas linhas defensivas são reconhecíveis por desníveis e afloramentos de muros. Na plataforma central, o ordenamento urbano mostra um arruamento lajeado pelo centro do povoado, parecendo cruzar-se com outro formando quatro grandes unidades.
Cada um destes quadrantes está dividido em núcleos familiares constituídos por várias construções em torno de um pátio, quase sempre lajeado.
A sua descoberta e escavação deu-se nos inícios do século XX pela mão de Rocha Peixoto e desde 1980, vêm-se realizando trabalhos arqueológicos tendentes à sua escavação, estudo e valorização. Numa intervenção efectuada em 1906 / 1907 foram identificadas estruturas sepulcrais as quais constituem um documento muito raro no contexto dos povoados fortificados da Idade do Ferro do Norte de Portugal.
No Museu Municipal existe um "Núcleo de Arqueologia" onde está em exposição o espólio mais significativo desta estação arqueológica.